O Panteão Nacional (Igreja de Santa Engrácia), onde está sepultado Humberto Delgado, ao fim da tarde, em novembro de 2024.David Stanley, CC BY 4.0
São Vicente
Igreja de Santa Engrácia – Panteão Nacional
Aqui repousam, desde 1990, os restos mortais de Humberto Delgado, o «General sem Medo», assassinado pela PIDE em 1965 com a secretária, Arajaryr Campos; e, desde 2014, os da poeta Sophia de Mello Breyner Andresen.
A Lei n.º 520, de 29 de abril de 1916, promulgada por Bernardino Machado, destinou a Panteão Nacional «o antigo e incompleto templo de Santa Engrácia». Classificado monumento nacional em 1910, continuou inacabado durante décadas e serviu de depósito de material de guerra e de oficina de calçado. Só em 1956 se decidiu acabá-lo; as obras terminaram em 1966, e em dezembro desse ano o Panteão foi inaugurado com a trasladação dos restos mortais de Almeida Garrett, João de Deus e Guerra Junqueiro e dos presidentes Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona.3
Em 1988, a Assembleia da República concedeu as honras do Panteão a Humberto Delgado, o «General sem Medo», candidato da oposição às presidenciais de 1958, que perdeu por uma burla eleitoral comprovada.35 A 13 de fevereiro de 1965, numa cilada da PIDE perto de Badajoz — a «Operação Outono» —, Delgado foi assassinado com a secretária, a brasileira Arajaryr Campos, que o acompanhava desde o exílio no Brasil e tinha 34 anos. Os corpos só foram encontrados em abril, junto a um caminho conhecido por «Los Malos Pasos», perto da fronteira portuguesa.65 Segundo a investigação judicial espanhola, os dois foram mortos num caminho junto à herdade de Los Almerines, no concelho de Badajoz, perto de Olivença, e os corpos foram depois levados para esse caminho, a uns seis quilómetros a sul de Villanueva del Fresno, onde dois rapazes os encontraram a 24 de abril de 1965.11
Enterrado em Espanha, o general foi trasladado para Lisboa em janeiro de 1975 e sepultado numa gaveta do Cemitério dos Prazeres, com o Presidente Costa Gomes e o primeiro-ministro Vasco Gonçalves no cortejo;910 dali passou para o Panteão a 5 de outubro de 1990.13 Na cerimónia estiveram o Presidente da República, Mário Soares, com Maria Barroso, o primeiro-ministro, Cavaco Silva, e o presidente da Assembleia da República, Vítor Crespo; o antifascista Emídio Guerreiro fez o elogio do general.4
A 2 de julho de 2014, dez anos depois da morte, foi trasladada para o Panteão a poeta Sophia de Mello Breyner Andresen, que apoiou a candidatura de Delgado, assinou o Manifesto dos 101, contra a guerra colonial, e foi deputada à Assembleia Constituinte.83
O paradeiro dos restos mortais de Arajaryr Campos: um blogue de história local de Villanueva del Fresno diz que os dois foram enterrados no cemitério da vila como desconhecidos e que os dela foram exumados a 8 de junho de 1965 e levados para Madrid, a caminho do Brasil; falta uma fonte institucional que o confirme e diga onde está sepultada.
9Cerimónias fúnebres de Humberto Delgado. RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026Notícia de janeiro de 1975 (ficha de 24 de janeiro): os restos mortais de Humberto Delgado vêm de Espanha e são postos numa gaveta funerária do Cemitério dos Prazeres, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves no cortejo.
11Humberto Delgado: historia de una emboscada que acabó en Badajoz con el militar sin miedo al salazarismo. elDiario.es (Extremadura) — consultado a 4 de outubro de 2026Segundo a investigação judicial espanhola do juiz José María Crespo Márquez, o crime foi num caminho junto à herdade de Los Almerines, no concelho de Badajoz, perto de Olivença; os corpos foram levados para o caminho de «Malos Pasos», a uns seis quilómetros a sul de Villanueva del Fresno, onde dois rapazes os encontraram a 24 de abril de 1965.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.