A Rua Angelina Vidal, na Graça, em outubro de 2016.swissbert, CC0 1.0
São Vicente / Arroios / Penha de França
Rua Angelina Vidal
O antigo Caminho do Forno do Tijolo recebeu em 1924 o nome de Angelina Vidal, propagandista republicana, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social». Ela não viveu aqui: morreu em 1917 na vizinha Rua de São Gens.
Esta rua era o Caminho do Forno do Tijolo. Por edital de 17 de outubro de 1924, sete anos depois da morte de Angelina Vidal, a Câmara de Lisboa deu-lhe o nome dela, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social»; um edital de 8 de junho de 1925 estendeu o topónimo a todo o caminho, que atravessa as atuais freguesias de Arroios, Penha de França e São Vicente.1
Angelina Vidal foi professora, jornalista e escritora, e fez propaganda das ideias republicanas em comícios e jornais; defendeu os direitos das operárias e a educação das mulheres como caminho para a igualdade. Morreu quase na miséria a 1 de agosto de 1917, no n.º 41 da Rua de São Gens, aqui perto — no dia seguinte àquele em que lhe foi enfim concedida a pensão de sangue pela morte do marido.1
A Lisboa republicana deu pouco lugar às mulheres nas suas ruas: de 1910 a 1926 atribuiu 14 topónimos femininos, sobretudo de heroínas — as Enfermeiras da Grande Guerra, a enfermeira inglesa Edith Cavell, Sara de Matos, Maria da Fonte — e de tradição local, e só quatro nomes de mulheres conhecidas pela sua obra: Angelina Vidal, a pintora Josefa de Óbidos, a atriz Emília das Neves e a cantora lírica Luísa Todi. Na mesma República, as mulheres não votavam: Carolina Beatriz Ângelo conseguiu-o em 1911, como chefe de família, e uma lei de 1913 passou a reservar esse direito aos chefes de família do sexo masculino.2