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Em Cada Esquina
A Rua do Benformoso, entre a Mouraria e o Intendente, em abril de 2022. Andrzej Otrębski, CC BY-SA 4.0

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Rua estreita e comprida entre prédios altos de varandas, com lojas no rés-do-chão, roupa a secar e gente a passar ao fundo.
A Rua do Benformoso, entre a Mouraria e o Intendente, em abril de 2022. Andrzej Otrębski, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Sede da associação de classe das Costureiras e Ajuntadeiras (Rua do Benformoso)

Aqui tinha sede, em 1915, o sindicato das Costureiras e Ajuntadeiras. Foi para aqui que Adelaide Abrantes chamou as operárias da Ramiro Leão & C.ª, que fizeram greve contra o despedimento de três colegas e foram dispersas pela GNR.

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História

Nesta rua tinha sede, em 1915, a associação de classe — o sindicato — das Costureiras e Ajuntadeiras. A 11 de julho desse ano, o jornal «A Voz do Operário» publicou a carta de um «pai de uma costureira» sobre as operárias de uma fábrica da colina de Santana, pertencente a uma grande casa comercial do Chiado, a Ramiro Leão & C.ª: pagavam as linhas com que cosiam, 80 a 90 centavos por semana, e ganhavam entre 185 e 220 centavos semanais.1

Na edição seguinte, a 18 de julho, respondeu Adelaide Abrantes, dirigente do sindicato: o patrão não trataria tão mal as operárias se elas estivessem organizadas, «pois que sem patrão pode-se produzir, mas o patrão é que não pode viver sem os productores». E chamou-as a uma reunião na sede, aqui na Rua do Benformoso. Terão vindo «mais de cem», com mais queixas: na fábrica, até as portas das retretes tinham sido arrancadas.1

A 8 de agosto, o sindicato — reformista, com dirigentes que formavam o núcleo duro da União de Mulheres Socialistas — anunciou que entrara «em luta, em defesa das suas companheiras». Três operárias da Ramiro Leão que faziam parte de uma comissão pela lei das oito horas de trabalho, Miquelina Furtado, Laurinda Pinheiro e Lúcia Martins, foram despedidas pelo gerente como «irredutíveis revolucionárias». No dia seguinte, antes das seis da manhã, as colegas juntaram-se aos portões e a fábrica parou. Pelas dez chegou um piquete de cavalaria da GNR e, pouco depois, a infantaria; ao fim de cerca de quatro horas e meia, o protesto pacífico foi desfeito aos empurrões. Uma comissão das grevistas foi ao governador civil, e o secretário que a recebeu ter-se-á admirado de que, «para uma simples questão de mulheres», fosse precisa «cavalaria, infantaria, polícia fardada».1

A greve foi derrotada, e no dia seguinte a maioria das operárias voltou à fábrica. Uma dúzia despediu-se em solidariedade com as três colegas e pensou em formar uma cooperativa. Estas lutas abriram caminho à lei de 1919 que limitou o horário de trabalho a oito horas diárias.1

Notas sobre as fontes4
  • O número de polícia da sede do sindicato na Rua do Benformoso.
  • O dia da greve (no verão de 1915, depois de 8 de agosto) e a morada da fábrica, na colina de Santana.
  • Tudo o que aqui se conta vem de um só artigo, de Luís Carvalho, no jornal A Voz do Operário (2019), que resume as edições de 1915 do mesmo jornal.
  • O artigo diz que se demitiram doze operárias em solidariedade, mas a lista de nomes que publica tem onze.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes1
  1. 1Greve de operárias da Ramiro Leão em 1915 (Luís Carvalho, 4/9/2019). A Voz do Operário — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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