Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina
O padrão de 1148 na Rua de São Gens, por volta de 1900. Fotografia de José Artur Leitão Bárcia (Arquivo Municipal de Lisboa). José Artur Leitão Bárcia, Domínio público

Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41)

Fotografia a preto e branco de um padrão de pedra alto e estreito num pequeno largo empedrado, com um candeeiro, uma árvore despida e casas baixas atrás.
O padrão de 1148 na Rua de São Gens, por volta de 1900. Fotografia de José Artur Leitão Bárcia (Arquivo Municipal de Lisboa). José Artur Leitão Bárcia, Domínio público

São Vicente

Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41)

Nesta casa térrea da Rua de São Gens viveu Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista republicana e socialista, que defendeu as operárias e a educação das mulheres. Morreu aqui, «quase na miséria», a 1 de agosto de 1917.

Hoje: Uma pequena vivenda térreaHá uma marca no local
Ver no mapa

História

Nesta pequena vivenda térrea, de portão verde, viveu e morreu Angelina Vidal.3 Filha do maestro Joaquim Casimiro, foi professora, jornalista e escritora e fez propaganda republicana em comícios — ficaram célebres dois no Porto, em 1880 — e em jornais como «O Sindicato», «Justiça do Povo» e «Emancipação», de que era proprietária. Colaborou n'A Voz do Operário a partir de 1883, foi editora do jornal entre 1897 e 1901 e ensinava francês, piano e música, na Sociedade e em casa.1

Defendeu os direitos das operárias e a educação das mulheres como caminho para a igualdade. Em «Às operárias portuguesas», de 1886, incitou-as a lutar pelas doze horas de trabalho, quando o dia de trabalho tinha quinze.3 Nunca falou de feminismo, e chegou a criticar as republicanas da Liga que lutavam pelo sufrágio, mas defendia a igualdade entre homens e mulheres, no trabalho e nas leis civis.1

A vida foi-lhe difícil. Separou-se do marido, o médico da Armada Luís Augusto de Campo Vidal, e perdeu a tutela dos filhos.3 Quando ele morreu, em 1894, o governo da monarquia negou-lhe a pensão, por ser «inimiga das instituições».1 As operárias das fábricas de tabaco abriram uma subscrição para a ajudar, e A Voz do Operário arranjou-lhe um vencimento como professora de francês.3 A pensão de sangue só lhe foi concedida a 31 de julho de 1917, e Angelina Vidal morreu no dia seguinte, aqui, «quase na miséria».1 O jornal «O Século» pagou o funeral, no cemitério do Alto de São João, onde falaram, entre outros, representantes do Partido Socialista, d'A Voz do Operário e dos manipuladores de tabaco.2

Em 1924, a Câmara deu o seu nome a uma rua aqui perto, a Rua Angelina Vidal, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social».1 Em 1991, A Voz do Operário e a Junta de Freguesia da Graça descerraram nesta casa uma lápide em sua homenagem.4

Notas sobre as fontes2
  • O ano de nascimento de Angelina Vidal: 1847 (Toponímia de Lisboa; a Wikipédia cita o assento de batismo) ou 1853 (FCSH+Lisboa). Segundo a Wikipédia, a data de nascimento da lápide está errada.
  • Se o n.º 41 de hoje é o mesmo de 1917.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes4
  1. 1A republicana Angelina Vidal. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Angelina Vidal. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Angelina Vidal: uma desfavorecida que defendeu os desfavorecidos. FCSH+Lisboa – NOVA FCSH, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Rua de São Gens (Roteiro «Voz do Operário»). Instituto de História Contemporânea – NOVA FCSH (DHLAB) — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

Menu

Aspeto