São Vicente
Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41)
Nesta casa térrea da Rua de São Gens viveu Angelina Vidal, professora, jornalista e propagandista republicana e socialista, que defendeu as operárias e a educação das mulheres. Morreu aqui, «quase na miséria», a 1 de agosto de 1917.
História
Nesta pequena vivenda térrea, de portão verde, viveu e morreu Angelina Vidal.3 Filha do maestro Joaquim Casimiro, foi professora, jornalista e escritora e fez propaganda republicana em comícios — ficaram célebres dois no Porto, em 1880 — e em jornais como «O Sindicato», «Justiça do Povo» e «Emancipação», de que era proprietária. Colaborou n'A Voz do Operário a partir de 1883, foi editora do jornal entre 1897 e 1901 e ensinava francês, piano e música, na Sociedade e em casa.1
Defendeu os direitos das operárias e a educação das mulheres como caminho para a igualdade. Em «Às operárias portuguesas», de 1886, incitou-as a lutar pelas doze horas de trabalho, quando o dia de trabalho tinha quinze.3 Nunca falou de feminismo, e chegou a criticar as republicanas da Liga que lutavam pelo sufrágio, mas defendia a igualdade entre homens e mulheres, no trabalho e nas leis civis.1
A vida foi-lhe difícil. Separou-se do marido, o médico da Armada Luís Augusto de Campo Vidal, e perdeu a tutela dos filhos.3 Quando ele morreu, em 1894, o governo da monarquia negou-lhe a pensão, por ser «inimiga das instituições».1 As operárias das fábricas de tabaco abriram uma subscrição para a ajudar, e A Voz do Operário arranjou-lhe um vencimento como professora de francês.3 A pensão de sangue só lhe foi concedida a 31 de julho de 1917, e Angelina Vidal morreu no dia seguinte, aqui, «quase na miséria».1 O jornal «O Século» pagou o funeral, no cemitério do Alto de São João, onde falaram, entre outros, representantes do Partido Socialista, d'A Voz do Operário e dos manipuladores de tabaco.2
Em 1924, a Câmara deu o seu nome a uma rua aqui perto, a Rua Angelina Vidal, com a legenda «Ilustre Conferencista e Propagandista da Emancipação Social».1 Em 1991, A Voz do Operário e a Junta de Freguesia da Graça descerraram nesta casa uma lápide em sua homenagem.4
Onde
Mapa com a localização de Casa onde morreu Angelina Vidal (Rua de São Gens, 41).
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Perto daqui


Rua Angelina Vidal
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Botequim
370 m · 6 min a pé

A Voz do Operário
460 m · 7 min a pé
Datas
31 de julho de 1917
É-lhe concedida a pensão de sangue pela morte do marido.
1 de agosto de 1917
Angelina Vidal morre nesta casa.
1991
A Voz do Operário e a Junta de Freguesia da Graça descerram uma lápide.
Vídeos
Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
Notas sobre as fontes2
- O ano de nascimento de Angelina Vidal: 1847 (Toponímia de Lisboa; a Wikipédia cita o assento de batismo) ou 1853 (FCSH+Lisboa). Segundo a Wikipédia, a data de nascimento da lápide está errada.
- Se o n.º 41 de hoje é o mesmo de 1917.
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Fontes4
- 1A republicana Angelina Vidal. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Angelina Vidal. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Angelina Vidal: uma desfavorecida que defendeu os desfavorecidos. FCSH+Lisboa – NOVA FCSH, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Rua de São Gens (Roteiro «Voz do Operário»). Instituto de História Contemporânea – NOVA FCSH (DHLAB) — consultado a 3 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.
